O estudo realizado pela FADEUP teve os seguintes objetivos:
1. Avaliar o impacto do programa na saúde da população de Famalicão
2. Coletar dados que subsidiem decisões informadas, visando a implementação de ações que melhorem a qualidade dos serviços prestados
3. Propor ações de melhoria
Para alcançar esses objetivos, foram recolhidas as seguintes informações, permitindo a análise de dados de um total de 1.205 participantes: antropometria, aptidão física, qualidade de vida, função cognitiva, quedas, anos de participação no programa, frequência e intensidade das sessões, atividade física adicional, fatores de risco cardiovascular, doenças crónicas, sinais e sintomas e medicação.
Através deste estudo, foi possível verificar que os participantes do Mais e Melhores Anos têm uma média de idade de 71 anos e são, maioritariamente, do sexo feminino. Em média, participam nas atividades do programa há 8 anos.
O perfil de doenças crónicas é semelhante à população portuguesa para a mesma idade e sexo, predominando as doenças cardiovasculares, seguidas pelas doenças metabólicas (diabetes e obesidade) e músculo-esqueléticas.
Relativamente à presença de fatores de risco cardiovascular, comparando com os valores descritos na literatura para a população idosa portuguesa, verifica-se uma prevalência idêntica de sujeitos com diabetes tipo II, dislipidemia e hipertensão arterial. Para os participantes de ambos os sexos, verifica-se estes fumam menos e apresentam menor prevalência de obesidade (avaliado pelo IMC).

Concluímos que os participantes do programa têm mostrado benefícios significativos em várias áreas da sua saúde e bem-estar. As atividades realizadas têm contribuído para a melhoria da mobilidade, promovendo uma maior amplitude e fluidez nos movimentos, assim como um aumento no equilíbrio e na coordenação motora. A função cardiorrespiratória e a força muscular também apresentaram melhorias notáveis.
Além disso, o programa tem estimulado a perceção visual e espacial, a lateralidade e a aquisição de novas habilidades, o que resulta em um aumento da atenção, memória e capacidade de resolução de problemas. Os participantes relatam um reforço da autoestima e motivação, além de uma melhoria nas relações pessoais, estimulando a interação social. Por fim, o programa tem promovido uma melhor inteligência e raciocínio, contribuindo para um ajustamento postural mais eficaz.
Seguem-se gráficos que ilustram os resultados obtidos:

Relativamente á saúde física, descrita pela aptidão física, verificou-se que para a maioria dos participantes, o programa é eficaz na prevenção do seu declínio típico do envelhecimento. De facto, observou-se que 50%, 60%, 76% e 68% dos participantes apresentavam performance superior ao percentil 50 para o equilíbrio dinâmico, força dos membros inferiores, força dos membros superiores e capacidade aeróbia, respetivamente.

Relativamente à presença de síndromes geriátricos, verificaram-se prevalências inferiores nos participantes do programa comparativamente aos valores descritos na literatura para a população portuguesa. Sugere que o programa tem exercido um efeito positivo na prevenção destes síndromes, nomeadamente no défice cognitivo, quedas, sarcopenia, fragilidade e polimedicação.


Corroborando a importância do programa, verificou-se que ausência do mesmo motivado pelas restrições durante a pandemia da COVD-19, prejudicou a saúde física dos participantes, observando-se declínios significativos (face aos valores pré-pandemia) para a capacidade aeróbia e força dos membros inferiores e superiores.

Constatou-se uma duplicação do número de praticantes que reportaram ter sofrido de uma ou mais quedas.

Conclusão geral:
Assim, embora de carater observacional, os dados obtidos sugerem que, para a maioria dos participantes, o programa melhora a robustez física e cognitiva e previne síndromes geriátricos (queda, sarcopenia, fragilidade e polimedicação).